quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

12 de Agosto - as magníficas cores do Tahar e de Jaisalmer

Acordei daquela que foi uma noite serena (com a excepção da mordidela de um escaravelho, que me deve ter confundido com uma das bolas de bosta com que andava atarefado). Tomámos um pequeno-almoço à moda do deserto e subimos para camelos, de volta às nossas andanças pelo Tahar.

Ao chegar a determinado ponto o nosso guia resolveu por os meus camelos a correr: o meu se importou nada e saiu disparado que nem um louco, atropelando o que quer que fosse que lhe aparecesse à frente. Como o do Phill vinha preso por uma corda à minha sela, teve que correr também, o que fez ressentir o estômago do Phill, que quando desceu do camelo estava um pouco enjoado (a tal ponto que enquanto eu almoçava ele teve que se afastar para vomitar).

A seguir ao almoço veio a típica sesta e, terminada esta, foram-nos buscar de carro e levaram-nos de volta ao Hotel, em Jaisalmer. Demos uma volta e fomos ao lago Gandisar, um local envolto na lenda da Prostituta que mandou construir um arco contra as ordens do Marajá, e fez valer a sua vontade por mandar construir a estátua de Krishna no topo deste, impedindo o marajá de o mandar destrui, devido ao seu zelo religioso.

O lago é um local mágico, repleto de serenidade, onde os transeuntes passeiam num ambiente de calma e paz e foi ali que presenciámos outro pôr-do-sol de uma beleza arrebatadora: parece que tudo à nossa volta explodia em tons de vermelho, desde o lago, às casa, passando pelas imagens de Ganesh.

Regressámos ao Hotel, onde conhecemos 3 rapazes portugueses que também andavam à aventura, jantámos no terraço e fomos dormir.

(o despertar dos camelos - Deserto do Tahar)

(o despertar do deserto)

(idem)

(o nosso pequeno-almoço)

(menina com rebanho - Deserto do Tahar)

(Cidadela de Jaisalmer)

(Vista panorâmica de Jaisalmer)

(pormenor de um dos páteos do Forte de Jaisalmer)

(rua de Jaisalmer)

(Cidadela de Jaisalmer)

(eles... de novo. Desta vez, em Jaisalmer)

(edifíco na margem do Lago Gandisar - Jaisalmer)

(Lago Gandisar - Jaisalmer)

(Lago Gandisar - Jaisalmer)

(edifício na margem do Lago Gandisar - Jaisalmer)

(Pôr-do-sol no Lago Gandisar - Jaisalmer)

(Pôr-do-sol no Lago Gandisar - Jaisalmer)

(pormenor do arco de acesso ao Lago Gandisar - Jaisalmer)

(Pôr-do-sol - Jaisalmer)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

11 de Agosto - Atravessando o Tahar

Despertámos cedo. Vesti a indumentária que tinha comprado no dia anterior de propósito para levar para o deserto, coloquei o turbante (sim… tinha turbante e tudo!) e encaminhámo-nos para o Jeep.


Seguimos estrada fora até ao deserto e à medida que íamos avançando o alcatrão ia ficando coberto de areia: o Tahar reclamava o seu espaço. A dada altura o nosso motorista para no meio do nada e leva-nos junto de dois guias, que nos aguardavam com três camelos (eles iriam partilhar um): começava ali o nosso safari no deserto!


Uma vez em cima dos camelos, lá seguimos nós pelo Tahar adentro: areia, sol, uma outra aldeia perdida, rebanhos e pastores: enfim, um cenário lindo. Perto da hora de almoço parámos debaixo de umas árvores e fomos presenteados com um repasto do deserto, a que se seguiu uma merecida sesta. Uma vez despertados lá seguimos caminho.


A meio do percurso lá encontrámos um poço (onde estavam duas moças com um olhar onde parecia caber o deserto): ora, o meu camelo era o mais agressivo e estava constantemente a morder no do Phill quando ele se aproximava para beber água (o que não era muito confortável, tendo em conta que estávamos montados neles…). Como se isso não bastasse, assim que saciou a sede saiu dali a correr (comigo às costas), deixando o restante grupo para trás: só parou quando encontrou uma árvore com uns rebentos que lhe pareceram apelativos.


Uma vez recomposto o grupo encaminhámo-nos para as dunas (até então tinha estado na parte rochosa do Tahar, que é um deserto bem diferente do cliché do Sahara em termos geológicos). Assim que chegámos às dunas os guias começaram a preparar a fogueira e o espaço para as mantas onde nos iríamos deitar para passar a noite (não houve cá tenda para ninguém, que isso é para meninos), enquanto nós subimos a uma duna para ver aquele que foi o entardecer mais bonito que vi até hoje.


É mágico: experimentei pela primeira vez a sensação de silêncio absoluto… pode dizer-se que é um silêncio ensurdecedor.À medida que a noite se ia aproximando esse silêncio era cortado pelos rebanhos de regresso a casa, conduzidos por seus pastores… estar naquele cenário carmim, fechar os olhos, sentir a areia macia e ouvir ao fundo o ruído das cabras e dos seus chocalhos foi uma sensação inefável. Algo tão bonito e tão forte que senti vontade de parar aquele momento no tempo e deixar-me ficar assim, sossegado.


De seguida descemos para o acampamento, onde jantámos com os nossos guias. Depois estendemo-nos sobre as mantas e deixámo-nos ficar a contemplar o céu mais estrelado que já vi até hoje. Uma vez mais, em silêncio absoluto. E assim adormecemos.



(estrada de Jaisalmer para o deserto do Tahar)


(o deserto a invadir a estrada)


(um autocarro com que nos cruzámos pelo caminho... carregado de passageiros no tejadilho)


(os nossos camelos!)


(rebanho de cabras - deserto do Tahar)


(paragem para beber água)


(mulheres rajput a encherem os potes de água... sim, no mesmo sítio onde o camelo enfiou as patas)


(o camelo a esfregar-se na areia, assim que lhe retirámos a sela... pelos vistos aquilo faz comichão!)


(dunas no Tahar)


(menina rajput junto a um poço)




(idem)

(início da disposição do nosso acampamento)




(rebanho no deserto do Tahar)



(entardecer no Tahar)



(idem... lindo, não é?)



(escaravelho... haviam tantos!!!)



(pôr-do-sol no Tahar... as saudades...)





(preparação do jantar)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

10 de Agosto - Jaisalmer (welcome to the desert)

Acordei com o rebuliço de alguns passageiros que estavam a despertar… Olhei para baixo e apercebi-me que a carruagem estava cheia de areia: desde as camas intermédias, passando pelas mais baixas, até ao chão, estava tudo coberto de montes de areia (inclusive as pessoas que ainda dormiam). Segundo o Phill me contou parece que a meio da noite atravessámos algumas tempestades de areia e como havia passageiros que levavam as janelas abertas o deserto instalou-se literalmente no comboio.

Arrumámos as coisas e saímos em Jaisalmer, onde senti pela primeira vez aquilo que as vedetas de cinema devem sentir quando se vêem rodeados de fotógrafos e fãs a pedirem autógrafos: à porta da estação estava uma multidão de guias a tentar cativar-nos a atenção agitando os seus cartões de negócios, inundando-nos com apertos, gritos e apelos!

Puxei pelo braço do único gajo que não tinha cartões nem panfletos na mão e perguntei-lhe se nos podia levar ao hotel, que já tínhamos reservado por telefone na véspera. Disse-nos que sim e que não nos ia impingir nenhum outro hotel ou programa turístico em que tivesse comissão… neste caso, a intuição funcionou bem.

Chegámos ao Hotel por volta das 5h30. Um dos responsáveis estava a dormir na varanda mas não nos ouviu chamar para virem abrir a porta: apenas acordou 10 minutos mais tarde com o ruído de um peido que o próprio mandou!

Fomos encaminhados ao nosso quarto e caímos de imediato na cama. Acordámos por volta das 10 e fomos tomar o pequeno-almoço no terraço do hotel (que tinha uma vista soberba para as muralhas), onde conhecemos o Ali, um rapaz que foi encontrado em pequeno por uns turistas no deserto e que o levaram para o Hotel, onde ficou desde então, segundo nos contou…

De seguida fomos dar uma volta por dentro das muralhas de Jaisalmer, onde pudemos constatar a legitimidade do epíteto de “Cidade Dourada”: é essa a tonalidade das casas, ruas e calçadas, quando banhadas pelo sol. Foi nessas ruas que passámos o resto do dia com algumas compras pelo meio.

Regressámos ao Hotel e fomos jantar, tendo ido dormir de seguida.

(as muralhas de Jaisalmer vistas do terraço do Hotel)

(Jaisalmer)

(Jaisalmer)

(venda de tecidos em Jaisalmer)

(Jaisalmer)

(Jaisalmer)

(uma amiguinha que fizemos na rua)

(e outras amigas maiores... bem menos agressivas que as primas de Jodhpur)

(Templo Jain - Jaisalmer)

(spooky... Jaisalmer)

(Jaisalmer)

(Jaisalmer by night, vista do terraço do Hotel)

(dormimos debaixo disto sem acordarmos mutilados)