sexta-feira, 6 de novembro de 2009

5 de Agosto - Jaipur, the Pink City

Este foi um dos dias mais corridos da viagem, pelo que a sua descrição terá que ser feita através de um breve sumário:

- Acordamos às 6h da manhã para tomar banho e nos despacharmos para o pequeno-almoço;

- Passeio a pé pela Cidade Velha (também conhecida por “Cidade Rosa”, devido à cor dos seus edifícios): visitamos o Jantar Mantar (observatório), Palácio da Cidade e Wallah Mahal (Palácio dos Ventos);

- Encontramos um guia que já tinha metido conversa connosco no dia anterior e que se oferece para nos levar a visitar o Palácio da Água, um estábulo de elefantes (Jaipur é a cidade dos elefantes e eu ADORO elefantes!!!) e o Palácio de Mármore;

- Enquanto estamos a tirar fotografias em frente ao lago onde se encontra o Palácio da Água assistimos a um homicídio (ou pelo menos, a uma tentativa): dois gajos dão um porradão noutro até o deixar inconsciente e depois atiram o corpo à água… Quando acabam o serviço olham cá para cima e apercebem-se de que eu e o Phill assistimos a tudo: agarro no braço do Phill e corremos para dentro do táxi, saindo dali para fora num instante;

- Visitamos o estábulo de elefantes onde nos foi explicada a relação entre estes animais e os seus cornacas e onde lhes pude mexer à vontade, fazer festas, agarrar-lhes na tromba… enfim, parecia um puto!

- Visitamos o “Palácio de Mármore”, que não passa de um jardim semi-abandonado com alguns pavilhões de mármore em estilo Mogol: o fulano explica-nos que aquilo é o cemitério das rainhas de Jaipur e que foi a última rainha de Jaipur havia ali sido enterrada na semana anterior (NOTA: os hindus são cremados – e não enterrados – e a Maharani de Jaipur encontra-se viva e de saúde… estes gajos são tão aldrabões);

- Terminado o passeio voltamos ao Hotel para nos estendermos um pouco à sombra no terraço e almoçar;

- Visitámos as Missionárias da Caridade em Jaipur, onde sinto que levei um murro no estômago: 261 pacientes (entre homens e mulheres, deficientes mentais e aleijados) entregues a apenas 6 irmãs, sendo que uma delas estava fora para concluir o Curso de Medicina e a outra estava em casa do Pai, onde o assistia nos últimos momentos de vida. Foi a enérgica Irmã Sama Sita que nos recebeu calorosamente e nos fez a visita guiada pela Casa, onde pudemos ver o Sofrimento de mão dadas com a Esperança e o Carinho. Aproveitámos para ficar um bocado na capela a rezar com duas Irmãs (é indescritível a Paz que se vive ali, no meio de tanta angústia mesmo ao lado), e de seguida despedimo-nos da Irmã: sinto que quando saí dali, algo tinha mudado na perspectiva como vejo as coisas;

- Fomos passear por uma das maiores avenidas da Cidade e fazer algumas compras (muitas, muitas, muitas!);

- Regresso ao Hotel, jantar e dormir.



(pormenor de um portão da Cidade Rosa - Jaipur)


(um dos arcos do Palácio da Cidade - Jaipur)


(Palácio da Cidade - Jaipur)


(um dos pavilhões do Palácio da Cidade - Jaipur)


(pote feito em prata para transportar água do Ganges para o Maharajá, quando este se deslocou a Londres para a coroação de Jorge V)



(pormenor da Porta das Monções, Palácio da Cidade - Jaipur)


(pormenor da Porta das Monções, Palácio da Cidade - Jaipur)


(fachada do Wallah Mahal - Jaipur)


(Jantar Mantar visto do interior do Wallah Mahal - Jaipur)


(uma das avenidas de Jaipur vista do cimo do Wallah Mahal)


(topo do Wallah Mahal - Jaipur)


(fachada do Wallah Mahal - Jaipur)



(elefante numa avenida em Jaipur)

(Palácio da Água - Jaipur)

("Palácio do Mármore" - Jaipur)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

4 de Agosto - O irmão (mais um) e a chegada ao Rajastão

Na noite anterior o Phill travou conhecimento com um casal indiano e eu adormeci ao som da conversa deles. De manhã acordei com algo que não sentia há algum tempo: cheiro a cremes e a higiene, lol! Eram umas turistas que estavam a tratar da sua higiene matinal.

Desci da minha prateleira e juntei-me ao Phill no banco de baixo. Passado um pouco entrou um grupo de homens que se sentou ao nosso lado. Como sempre, começaram a meter conversa e aqui o Luís deu-lhes logo a trela toda: o tradutor deles era um Professor Universitário de Ciência Política, de 30 anos. Com ele viajavam um Professor de Hindi, um de Sociologia e outro de Química.

Com a típica falta de noção de privacidade que caracteriza este povo, começou de imediato a perguntar-me nome, idade, origem, profissão, estado civil, ordenado, etc… Tudo isto para passar ao tema que parece obcecar estes gajos: SEXO.

Perguntou-me se tinha muito sexo, se as mulheres no Ocidente eram tão fáceis como se diz, se tinha tido muito sexo em Goa com as estrangeiras, se tinha tido sexo nas outras cidades indianas por onde visitei… enfim, uma panóplia de perguntas que surgiam de uma visão distorcida (ou exagerada) das condutas sexuais no Ocidente.

Depois de lhe esclarecer algumas curiosidades sobre a vida familiar em Portugal (ficou chocado quando lhe disse que bebia álcool à frente do meu pai e que a minha mãe fazia o mesmo), disse-lhe que não tenho grandes vícios: não fumo, não me drogo, acredito na fidelidade e não me embebedo todos os dias (só nalguns)…. Acabou por concluir que era um gajo de “Low living and high thinking”. A partir daí a conversa evoluiu e foi delicioso estar ali a debater com ele sobre a essência da felicidade e o que, de facto, é importante na vida.

Explicou-me que era brâmane e que por isso não bebia álcool e era vegetariano e falou-me um bocado sobre a vida dele. Ao fim de algum tempo já os amigos dele gozavam connosco a dizer que para além de sermos parecidos (ele também é baixinho e usa barba), falávamos os dois pelos cotovelos, e que, por isso, devíamos ser irmãos… Foi o segundo irmão que fiz em 2 dias (o responsável por um dos Ghats que nos deu a lição sobre os rituais de morte Hindus também me abraçou no fim e disse que éramos irmãos em espírito, lol!): com a família a aumentar desta maneira este ano não sei como é que vou fazer com as prendas no Natal!

O meu 2º irmão e os amigos saíram na estação antes de Jaipur entre uma confusão de abraços e gargalhadas e nós, chegados ao nosso destino, fomos tratar da reserva do comboio para Jaisalmer: tivemos que fazer aqui a 1ª alteração ao nosso plano de viagem e acabámos por reservar bilhetes para Jodhpur e de Jodhpur para Jaisalmer (não havia comboios directos).

Saímos da estação e rumámos ao Hotel, que havíamos reservado entretanto por telefone: a primeira impressão de Jaipur foi a de ser a cidade mais limpa onde havíamos estado até à data, com pessoas mais simpáticas e vendedores mais respeitadores e menos insistentes.

O quarto do Hotel acabou por ser o melhor onde estivemos em toda a viagem. Comemos algo, fomos dar uma volta pela cidade (onde constatámos que no Rajastão o calor é mais seco) e voltámos para Hotel, para tomar banho e dormir: o dia seguinte começava cedo.

(o despertar no comboio)

(mulheres a carregar bilhas de água - foto tirada do comboio)

(Lonely Planet - o responsável pelo sucesso da viagem!!!)

(malta a viajar no telhado do comboio... pois, tal como nos filmes!!!)

(eles adoram pô-las a trabalhar... foto tirada do comboio)

(traje tradicional do Rajastão - foto tirada do comboio)

(quarto do Hotel em Jaipur)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

3 de Agosto - Farewell Varanasi

Às 5h30 descemos para a recepção, onde nos aguardava o barqueiro que nos levaria com mais alguns hóspedes (3 da China e um de Taiwan) a ver o nascer do sol e os rituais matinais no Ganges. Foi uma viagem única, cheia de serenidade e contemplação, que se tornou mais animada quando uma chinesa resolveu filmar todos os pormenores e mais alguns dos indianos que se banhavam no Rio, o que fez com que alguns mergulhassem das plataformas perto de onde o barco ia passando, molhando-nos a todos com o impacto dos mergulhos.

Para além disso, a dada altura o barco abanou com uma ondulação inesperada, o que deixou os chinocas em pânico e fez com saltassem todos dos seus lugares e quase virassem o barco.

Regressámos ao Hotel e fomos levantar dinheiro (o que foi uma aventura, com os terminais multibanco todos avariados e as ruas apinhadas de fiéis para um festival que havia nesse dia). Voltámos ao Hotel, fizemos o check out e fomos almoçar a um restaurante no terraço de um hotel vizinho, onde já conhecíamos o pessoal e sabíamos que o serviço era bom.

Regressámos para recolher a bagagem e apanhámos o riquexó que nos levaria à estação de comboios. Aí, deparámo-nos com uma confusão enorme de peregrinos (devido ao tal festival de Shiva), com o Exército a separá-los dos turistas e a encaminhar-nos para as carruagens.

Uma vez mais, outra viagem de comboio na prateleira, mas desta vez com menos indianos e mais turistas “backpackers”, o que torna o ambiente mais familiar: Rajastão aí vamos nós!



(alvorada em Varanasi)


(rotina matinal no Ganges)


("Sadhu" - homem santo - em meditação em frente ao Ganges)


(rituais matinais no Ganges)


(rituais matinais no Ganges)


(rituais matinais no Ganges)

(orações matinais frente ao Ganges - uma das minhas fotos favoritas!!!)

(peregrino a caminhar nas margens do Ganges)

(saris estendidos na margem do Ganges)

(descubram de quantas formas diferentes se pode escrever "Chicken"... LOLOLOL!)

(o almoço de despedida de Varanasi... tão booooom)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

2 de Agosto - The Varanasi Tour

Depois de um sono longo e reparador (tomámos uns comprimidos para dormir uma vez que o cansaço nos estava a dificultar a possibilidade de um sono descansado), fomos dar uma volta pelos Ghats à beira do Ganges.

Estávamos ao cimo do Ghat principal, onde se cremam corpos durante todo o dia e noite, quando o Phill resolve fotografar o Ganges. Ora, o pessoal que ali estava achou que ele estava a fotografar a cremação (o que é proibido) e de imediato fomos interpelados por um bando de rapazes com ar de poucos amigos que não paravam de reclamar com o Phill e que nos queriam levar para sabe-se lá onde. Saímos dali a correr e descemos para a beira do rio.

Durante o resto da nossa estadia em Varanasi fomos sendo interpelados por um outro par de rapazes que assistiram à cena da manhã e que nos acusavam de profanar um acto religioso (cheguei a ver o caso mal parado quando um novo bando nos rodeou, impossibilitando de sair dali, e disse que ia chamar o chefe deles): por fim, o Phill conseguiu pôr cobro àquela loucura e disse que não tinha fotografado prática religiosa nenhuma e que não percebia como é que a religião deles, sendo tão apologista da tolerância os levava a ser tão violentos e desrespeitadores (na verdade, o que eles queriam era que lhes déssemos dinheiro para nos deixarem em paz)… enfim, tudo se resolveu com amaeaça de chamar a polícia.

No resto da manhã ainda conhecemos o responsável por um dos Ghats que nos proporcionou uma explicação formidável sobre o ritual das cremações e se revelou um anfitrião excelente (o fulano já dizia que era meu irmão e tudo…). Depois da manhã agitada, lá regressámos ao hotel para partirmos para a visita guiada pelos becos e templos hindus de Varanasi.

Confesso que foi maravilhoso entrar naqueles templos (onde, acima de tudo, se adora o falo – ou “Lingam” – de Shiva) e ver os rituais, as cores, conhecer o panteão de deuses hindus (muito por alto), sem ter medo de praticar mais algum acto profano , graças à presença e instruções do nosso guia…

Ora, o nosso guia merece uma referência mais alongada: era um senhor muito afável e simpático com ar de paizinho de família mas que passou o tempo todo a falar de sexo: como no Ocidente era tudo mais liberal, como as pessoas faziam sexo constantemente como pessoas diferentes, como os rapazes emprestavam as respectivas namoradas uns aos outros sem ninguém se chatear e por aí fora…

Lá acabei por lhe explicar que a realidade é bocadinho diferente desse panorama mas acho que ele não ficou muito convencido… Ainda explicou como o cinema pornográfico tinha conhecido um “boom” (até desviou o nosso percurso dos templos hindus para nos mostrar um cinema pornográfico e tudo, LOL!) e queria levar-nos a comprar filmes pornográficos na candonga: enfim, foi uma tarde enriquecedora.

Para concluirmos o passeio o guia levou-nos ao armazém de um amigo que exporta peças de seda para as grandes casas de moda europeias (a seda de Varanasi é conhecida pela sua qualidade). Confesso que foi LINDO: dei por mim estendido num colchão a beber chá coberto de lenços de seda com os padrões mais arrebatadores que alguma vez vi (até aprendi a fazer o teste para reconhecer seda verdadeira e tudo): saímos de lá fascinados.

Regressámos para o Hotel, de onde partimos para o passeio de barco pelo Ganges ao anoitecer: foi um espectáculo de luz, cor, som e espiritualidade (até fizemos uma oferta ao Ganges e tudo!).
Voltámos ao Hotel e fomos dormir, partilhando o nosso quarto com o par de osgas que ali se instalou (estávamos tão cansados que nem fomos jantar).
("Scindia Ghat", o Ghat que se encontrava em frente ao nosso Hotel... foi mandado construir com dimensões tão imponentes que não se susteve e ruiu no Ganges)

(estátua da deusa Kali, numa das vielas de Varanasi)

(rua de Varanasi)

(búfalos a preguiçar no Ganges)

(prédio em Varanasi... reparem nos andaimes)

(Missionárias da Caridade de Varanasi)

(Gansos no Ganges)

(Nandi, o boi sagrado e fiel companheiro de Shiva)

(o Falo de Shiva, devidamente enfeitado para os devotos do sexo masculino lhe afagarem a cabeça)

(portão do Templo Dourado, Varanasi)

(Templo Dourado, Varanasi)

(interior do Templo Dourado, Varanasi)

(imagem de Krishna, Varanasi)

(imagem de Ganesh, Templo Dourado)

(mulheres em oração no Templo Dourado, Varanasi)

(interior da cúpula do Templo Dourado, Varanasi)

(venda de flores para oferta, Varanasi)

(edifício de um cinema pornográfico em Varanasi... no comments, LOL!)

(ofertas a flutuarem no Ganges)

(Varanasi vista do Ganges)

(Varanasi vista do Ganges)

(a nossa oferta para o Ganges...)

(Espectáculo do Fogo, visto do nosso barco, no Ganges)

(uma das nossas companheiras de quarto)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Dia 1 de Agosto - A chegada a Varanasi (Caos outra vez)

O despertar numa carruagem de comboio indiano assemelha-se ao despertar de uma grande família na mesma casa: tudo a bocejar e espreguiçar-se ao lado uns dos outros e depois a fila para ir à casa de banho com a escova e pasta de dentes na mão (casa de banho essa que estava bem suja, por sinal).

O comboio fez uma paragem inesperada e chegámos a Varanasi com 2 horas de atraso. Fomos de imediato comprar o bilhete para Jaipur e tivemos o nosso primeiro contratempo: só havia vagas para dali a dois dias, o que levou a que tivéssemos que prolongar a nossa estadia em Varanasi por mais tempo do que o programado.

Apanhámos um riquexó, cujo condutor nos informou de imediato que não nos podia levar ao Hotel por o mesmo se encontrar na parte antiga da cidade (onde não são permitidos veículos), pelo que nos deixaria o mais perto possível e depois teríamos que seguir a pé.

Basicamente, o que ele fez foi deixar-nos sozinhos com a bagagem toda no meio da rua principal e dar às de Vila Diogo.

Para quem não conhece Varanasi, as ruas históricas por detrás dos Ghats são 5 vezes mais estreitas do que as vielas da Mouraria e num número 100 vezes maior. Resultado: passámos horas perdidos por entre becos e vielas partilhados por vacas, cabras, bosta, vendedores, burlões e malta que nos oferecia haxixe a cada passo… perto desta malta de Varanasi todos os burlões dos locais por onde passámos antes são meninos de coro.

Ao fim de algumas horas, coberto de suor e cansaço e farto de carregar com as mochilas, lá demos com o almejado hotel!

Marcámos na recepção uma excursão para o dia seguinte, um passeio de barco para ver o anoitecer no Ganges e um outro para ver o amanhecer no dia posterior a esse.

Depois veio o duche, uma tarde de sono e jantar bem agradável num restaurante ali perto. Entretanto, o Dono do Hotel recomendou-nos que mantivéssemos as janelas e a porta da varanda (sim, que o nosso quarto tinha uma varanda soberba sobre o Ganges!) bem fechadas: há por ali perto muitos macacos que têm o hábito de entrar nos quartos e roubar as coisas ou então espalhá-las todas.

Por fim, o sono merecido.

(a malta preguiçar de manhã no comboio)

(vista da minha "prateleira"... entre as duas mochilas e o pouco espaço do meu cantinho acabei por ficar com a coluna em forma de 8)

(vista da varanda do nosso quarto: o Ganges e uma pira onde são queimados corpos 24h por dia... sim, o cheirinho era muito bom)