O trânsito: caótico. Mesmo de madrugada as buzinas e o improviso imperam (os carros têm uma placa na traseira a dizer: “Horn Please”).
A democracia indiana: musculada. Chegados à estação deparamo-nos com uma multidão a dormir no chão. Quando entramos de mochila às costas apercebemo-nos que somos os únicos turistas ocidentais que ali estão. A Polícia também se apercebe e começa a bater com os bastões nas pessoas que estão a dormir.
Mais uma vez uma senhora que diz que nos compra os bilhetes (desta vez o Phill toma a dianteira e corre com ela: será algo que se há-de repetir ao longo da viagem… se não fosse ele eu vinha de lá empenhado, LOL!).
Os primeiros minutos a bordo do Mandovi Express são surreais: entrámos numa carruagem só para mulheres (intocáveis), descobrimos que o comboio tem baratas, que, ao contrário do que nos disseram, não somos obrigados a dar dinheiro a todos os “hijras” (basicamente, são travestis) que no-lo exigem, e fizemos amizade com um casal de velhotes que ia para perto de Goa.
O resto da viagem foi indescritível: percebo agora porque é que o Lonely Planet recomenda o trajecto do Mandovi Express como uma das experiências a não perder na Índia. Apesar da viagem até à saída dos subúrbios de Mumbai nos proporcionar um espectáculo de ruínas, barracas e homens a cagar e a mijar à nossa frente (pois… assim, na boa), onde o verde resultante das monções já se adivinhava, é quando se penetra na zona rural que começa o festival para a visão.



